sábado, 6 de março de 2010

O Escorpião e a Tartaruga








O Escorpião estava querendo atravessar um rio, mas não sabia nadar. 

Mas não tinha nada!!! nenhum barquinho, nenhuma canoa.


Então, ele viu ao lado uma tartaruga e se aproximou dela.


Quando a tartaruga viu o escorpião chegando com aquela cauda levantada e os ferrões preparados, a tartaruga se recolheu.


O Escorpião lhe disse:


- “Não tenha medo, dona Tartaruga. Eu só gostaria de conversar um pouquinho com a senhora. Será que a senhora poderia vir aqui fora?


A Tartaruga respondeu:


- “De jeito algum. Você é uma criatura traiçoeira. Se eu for até aí, você vai aplicar o seu ferrão em mim. E o seu veneno é suficientemente forte para matar até um elefante”.


E o Escorpião respondeu:


- “Não, dona Tartaruga. Não me leve a mal, eu sei que eu tenho uma péssima fama, mas eu preciso de um grande favor. Eu tenho que atravessar esse rio, mas eu não sei nadar. Eu sei que a senhora nada muito bem; vai de lá, vem pra cá... Assim, se a senhora pudesse me fazer esta gentileza, eu subiria no seu casco, a senhora atravessaria o rio e me deixaria na outra margem”.


A Tartaruga, que tem centenas de anos de vida e não é boba, disse:


- “Escorpião, você pensa que eu nasci ontem? Eu tenho certeza que se eu colocar a minha cabeça para fora, se eu te fizer este favor, você vai me aplicar o seu ferrão e me matar”.


O próprio Escorpião disse:


- “Que isso, que idéia a senhora está fazendo de mim! Eu preciso somente de um favor. Se eu te aplicar o ferrão, eu estarei aplicando este ferrão contra mim mesmo porque se a senhora morrer, eu também morrerei. Se a senhora se afogar no rio, eu também me afogarei porque eu não sei nadar. Então, confie em mim, dona Tartaruga. Eu só preciso desta gentileza. Me leve do outro lado, por favor. Eu vou ficar lhe devendo este benefício o resto da vida. O que a senhora precisar de mim, pode contar. Faça-me apenas esta gentileza”.


A Tartaruga ficou pensando, pensando..


“É, não tem lógica. Se ele me aplicar o ferrão, eu morro e ele também morre porque ele não sabe nadar. Eu acho que não custa nada fazer esse favor”.


Ela saiu do casco e disse:


- “Está bem, senhor Escorpião. Suba aí nas minhas costas”.


E o Escorpião, com a cauda levantada e aquele ferrão assustador, foi subindo pela traseira da Tartaruga e foi até o topo do casco.


Lentamente, a Tartaruga foi descendo a margem do rio e o Escorpião lá em cima:


- “Muito obrigado, dona Tartaruga. Muito obrigado pelo favor que a senhora vai me fazer”.


E a tartaruga:


 - “De nada”.


Ela foi descendo até que encontrou a água e começou a nadar com o Escorpião em cima do casco.


A Tartaruga nadava e nadava para alcançar a outra margem do rio.


Mas o Escorpião começou a olhar para o pescoço da Tartaruga e ficou pensando:


“Que vontade de dar uma ferroada. Eu não estou conseguindo controlar a minha cauda”.


E a Tartaruga inocente, nadando, nadando e nadando; pensado que estava prestando um favor ao Escorpião.


De repente, a Tartaruga dá um grito:


- “Ai, o que é isso?! Você me ferroou e o seu veneno está em mim. Por que você fez isto, Escorpião? Eu estou te prestando um favor e agora eu vou morrer. O que é pior: você também morrerá”.


O Escorpião disse:


- “Desculpe, dona Tartaruga. Mas esta é a minha natureza. É só isso que eu sei fazer”.


A Tartaruga morreu e o Escorpião também submergiu naquele rio pantanoso...
 
 


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